Como o psicológico não te deixa evoluir

Como o psicológico não te deixa evoluir

Essa semana pedi ajuda da psicóloga Joana Cardoso, especialista em transtornos alimentares, para falar um pouco sobre as ‘armadilhas da mente’ que podem estar atrapalhando (e muito) o seu processo de mudança de estilo de vida. Segue o texto dela:

Hoje a obesidade é uma epidemia mundial. É de conhecimento de todos que as causas são multifatoriais, sendo elas genéticas, ambientais, sociais e psicológicas. Mas o que gostaria de dividir com vocês, a partir do que observo em meu trabalho no setor de transtornos alimentares de um hospital, são os hábitos alimentares que muitas vezes estão em torno dessa condição.

undefined_2Fnem_lembro_se_comi_3Entendo como hábitos alimentares a maneira pela qual o indivíduo lida com a alimentação no seu dia a dia. Conversando com os pacientes que chegavam a mim, percebi quão poucas são as pessoas que fazem refeições. O mais comum é comer, sem que isso represente de fato uma refeição. Deu fome, compra um salgado no caminho do trabalho, come um sanduíche enquanto dirige, ou toma um cafezinho para tapear o apetite. Nada que envolva muito esforço. Assim, em pé rapidinho, vendo na TV um programa qualquer, ou na frente do computador para não atrasar as tarefas. A ideia é exterminar a fome de forma mais fácil e conveniente. Há hoje no inconsciente coletivo a ideia de que sentar para comer, mastigar, e fazer de fato uma refeição é uma perda de tempo. Então, vale otimizar o tempo, seja lá da maneira que for.

Não quero aqui defender a ideia tradicional de que devemos sentar a mesa na presença de todos para o bom funcionamento familiar, o que muitas vezes se torna impossível nos dias de hoje. Porém, não consigo dissociar o grande aumento da obesidade também com esses novos hábitos “não alimentares”.

É de extrema importância que se faça refeições de forma atenta e consciente tanto do que  se come, quanto da quantidade ingerida a fim de não negligenciar o corpo  em prol  de outras atividades diárias. É um desafio constante em que você sempre será colocado à prova. É preciso se priorizar para que as rápidas e eficazes demandas da vida não vençam.

É comum que um paciente sinta muita dificuldade em descrever sua alimentação do dia anterior. Não por problemas de memória, mas porque não estava plenamente atento nesta atividade. Um clássico dessa situação seriam os chocolates e biscoitos que nos são oferecidos no trabalho e as amostras que vamos comendo ao longo do dia em lojas, padarias ou supermercados. Tudo na tentativa de tornar o dia mais suportável ou simplesmente por um gesto automático, como a pipoca que comemos no cinema.  Nesses casos, o que vale não é o sabor ou a qualidade dos alimentos, e sim o hábito de levar a boca.

Não são raras as vezes que obesos chegam ao consultório sem entender porque se encontram nesse estado de peso elevado. Eles acreditam não comer exageradamente, já que mal sentam para almoçar, e, no jantar,  só tomam uma sopa leve. Foram esquecidas pequenas coisinhas que comeram ao longo do dia para tapear a fome ou o tempo: uma balinha, um chocolatinho pequeno ou um biscoitinho light. De grão em grão… Todos sabemos o fim da história.

 

Texto: Joana Cardoso, psicóloga – escritora do site saladeideias.com.br

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