Para iniciantes no Triathlon: Entrevista com Guilherme Guido

Para iniciantes no Triathlon: Entrevista com Guilherme Guido

IMG_4279Sabe aquelas coisas que você sempre quis saber e não tinha para quem perguntar? Perguntei tudo para o meu atleta Guilherme Guido, que teve a maior paciência para responder todas com o maior cuidado…

Divirtam-se (e estejam à vontade para fazer outras perguntas):

 

 

– Como vc começou no tri?

 

O esporte que me colocou em contato com as competições foi a natação, em 2002. Oito anos depois de já ter parado de competir nas piscinas, em 2010, comecei a me arriscar nas pistas. Alguns meses treinando corrida, para evitar que se tornasse algo monótono e, ainda sem acompanhamento profissional, resolvi incluir a natação nos meus treinos.

Aos finais de semana, eu saía da Gávea correndo em direção à Copacabana, nadava 40 minutos e voltava correndo, e isso foi se repetindo durante algum tempo. Esse tipo de treinamento me permitiu participar de algumas etapas do Campeonato Estadual de Aquathlon (Corrida + Natação + Corrida),  e foi quando passei a ter contato com a Federação de Triathlon, responsável por organizar as provas.

Todos nós somos movidos à desafios e eu não sou diferente. Após receber o e-mail de divulgação de uma prova chamada Iron Moon, um short triathlon noturno que acontecera em Copacabana em 2011, fiquei tentado a participar e, mesmo sem ter uma bike resolvi me inscrever. Não estava preparado para aquela prova, pedalei com uma Mountain Bike emprestada, corri com cãimbras nas duas pernas mas cruzei a linha de chegada e depois disso não consegui mais parar.

 

IMG_4277– No iníicio, quais as maiores dificuldades durante as provas?

 

No início, ainda sem acompanhamento profissional, as dificuldades eram muitas.

Desde roupa e equipamentos que eu deveria usar, técnicas empregadas em cada modalidade, até o que eu deveria comer para ter uma melhor performance.

Como ainda não tinha um treinamento específico, eu sentia muita dificuldade nas transições, principalmente na T1 (Natação x Ciclismo) já que não tinha prática de subir na bike em movimento e calçar as sapatilhas em movimento.

 

– Já “quebrou”  em alguma? O que ocorreu?

 

Nunca precisei abandonar uma prova.

 

IMG_4280– O que faz logo antes da largada?

 

Faço um bom aquecimento entre 30 e 40 minutos antes da largada, depois do aquecimento procuro um lugar mais reservado onde eu consiga me concentrar e repensar a estratégia da prova. Faço todo percurso mentalmente sempre mentalizando com positividade meu desempenho.

Poucos minutos antes de largar abro uma lata de energético e tomo um sanchê de gel e assim termino meu ritual antes ser dada a largada!

 

 

– Qual o melhor tipo de roupa para competir?

 

Essa é uma questão muito pessoal. A escolha da roupa deve levar em consideração alguns quesitos como conforto, menor arrasto tanto na água (caso não utilize roupa de borracha) quanto no pedal e corrida, respirabilidade do tecido, facilidade na troca de calor, etc.

É muito comum ver atletas utilizando bermuda e top, sunga e top ou macaquinho, o único ponto de atenção com o macaquinho em provas de média/longa distância é que, caso haja a necessidade de utilizar o banheiro em uma emergência, fica mais complicado tirá-lo se comparado à sunga ou bermuda.

 

– Qual a melhor para nadar? A roupa de borracha ajuda mesmo?

 

A roupa de borracha auxilia na flutuação e diminui o arrasto, dessa forma o atleta consegue uma economia de energia que será muito importante para as próximas duas etapas da prova.

 

– Dica para transição água/ bike (o que fazer com a touca/ oculos)?

 

Uma dica importante na transição da Natação para o Ciclismo é, ao sair da água, corra abrindo o zíper simultaneamente e baixando a roupa até a altura do quadril. Lembre-se de não tirar os óculos e a touca até que tenha abaixado a roupa, pois tê-los nas mãos vai atrapalhá-lo enquanto faz isso. A metade inferior da roupa, na prova, será retirada já na área de transição, ao lado da bicicleta, ou na tenda de troca.

 

– Tem diferença de tipos de toucas? Tipos de óculos?

 

Em relação as toucas existe uma pequena diferença quanto à expessura mas nada que tenha que ser levado em consideração.

Para escolher os óculos deve-se levar em consideração alguns quesitos como:

– Fixação: Os óculos precisam estar bem fixados ao rosto para evitar a entrada de água.

– Cor das lentes: O tipo de ambiente deve ser considerado ao escolher a cor das lentes. Caso o treino seja realizado em local aberto, com incidência da luz do sol, as lentes mais escuras são ideias.

– Tamanho: O tamanho dos óculos está diretamente ligado ao conforto. Os óculos menores tendem a ser menos confortáveis, para treinos e provas mais longas o ideal é que o óculos tenha um encaixe mais amplo.

 

– Dica para transição bike/ corrida?

 

As transições devem ser treinadas exaustivamente. No desmonte, é importante descalçar as sapatilhas no último momento e o mais rapidamente possível. Ao final de cada treino de ciclismo, pratique da seguinte forma: com a bicicleta em alta velocidade, abra uma das sapatilhas e descalce o pé, apoiando-o sobre a sapatilha; embale rapidamente e repita o procedimento com o outro; então, apoiando-se no guidão, fique de pé e passe uma das pernas por trás, sobre o selim, ficando com as duas pernas do mesmo lado da bicicleta — preferencialmente, a perna “livre” deve estar à frente da outra, pois ela iniciará a corrida.

 

 

IMG_4276– Se eu não estiver seguro.. é melhor não pegar vácuo?

 

A estratégia de pegar o vácuo do ciclista à frente ajuda a diminuir o atrito do vento, poupando assim uma boa dose de energia, estima-se uma economia de até 25%. É necessária certa experiência para se tirar melhor proveito dessa prática. Quando se está pedalando em grupo é necessária atenção redobrada já que para aproveitar a zona de vácuo o ideal é que sua roda dianteira esteja entre 15cm e 30cm da roda traseira da bike à frente, e pedalando à 40km/h qualquer descuido pode causar graves acidentes. Portanto, se estiver inseguro é melhor não pegar vácuo.

 

IMG_4281– Qual o momento mais estratégico para suplementar?

 

Na minha opinião não existe um momento mais estratégico, a suplementação tem que ser elaborada e seguida nos mínimos detalhes para que não haja nenhuma deficiência de nutrientes no decorrer da prova. Qualquer erro pode acarretar em queda de performance.

 

– Vc sente fome durante?

 

Nas provas mais longas é normal sentir fome e, na minha opinião, o momento mais adequado para ingerir alimentos sólidos é durante o ciclismo porque não existe impacto e assim evitamos aquela sensação de estômago cheio durante a corrida.

Para as provas mais curtas os saches de gel dão saciedade, não pesam no estômago e são muito funcionais em relação às necessidades energéticas do atleta.

 

– Pensa em que quando está cansado?

 

É meio clichê, mas nos momentos mais difíceis parece que passa um filme na minha cabeça. Toda a preparação, todas as dificuldades dos treinos, todas as dores que senti até chegar naquele momento, todas as pessoas que torcem e vibram com as minhas conquistas, cada etapa vencida durante todos os meses até me colocar à prova em uma competição me dá muita força pra seguir firme até a linha de chegada.

 

– Como se monta um “calendário de treinos”? Tenho que treinar todos os dias? Mais de 1 vez por dia?

 

Para montar um planejamento ideal de treinos é necessário, primeiramente, traçar um objetivo. Dessa forma todos os esforços durante a preparação serão direcionados ao atigimento dessa meta previamente traçada.

O volume de treinos está diretamente ligado ao objetivo, por exemplo, uma planilha de treinos desenhada para a conclusão do Ironman vai demandar comprometimento e dedicação muito maiores do que uma planilha de short triathlon.

Por se tratar de uma atividade multiesporte alguns treinos de triathlon são feitos em 2 turnos, dessa forma o atleta consegue render mais. Outro motivo para realizar os treinos em 2 turnos é que a maioria esmagadora de praticantes tem que conciliar sua vida profissional e social com o esporte, dessa forma fica muito complicado reservar 3 ou 4 horas seguidas para treinar duas modalidades.

 

 

– E o descanso? É importante? Se eu estiver me sentindo bem, posso não fazer day off?

 

Com toda certeza o descanso é importante mas isso não quer dizer que seja obrigatório fazer day off, o ponto de atenção deve ser em relação à intensidade dos treinos.

É possível treinar todos os dias da semana, porém é de extrema importância incluir treinos regenerativos e de baixa intensidade e volume, permitindo que o corpo se recupere dos treinos mais intensos.

No meu caso, incluo um day off por semana, que é quando aproveito para relaxar, fazer trabalhos para melhora da flexibilidade e auto-liberação miofascial.

 

 

– Vc nunca sai da dieta?

 

Minha alimentação já era bem saudável antes mesmo de fazer dieta. Há alguns anos cortei frituras, refrigerantes, derivados do leite e sempre mantive uma alimentação regrada.

Hoje em dia, com um cardápio restrito, minha fuga da dieta acontece de vez em quando aumentando razoavelmente a quantidade de comida no prato e eventualmente me rendo à paçocas, pasta de amendoim…tenho uma queda por coisinhas feitas com amendoim.

 

 

– Vc bebe? Atrapalha?

 

Atualmente eu não consumo bebidas alcoólicas. Para atletas que buscam performance, certamente o álcool atrapalha no desempenho.

 

 

 

 

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